Olhando pela vidraça

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Às vezes temos tantos motivos para sermos felizes, que precisamos fugir.

É como olhar através de uma vidraça limpa e clara e ficar focada naquela pequena mancha, descartando toda a paisagem e luz que pedem pra entrar.

Quando a minha vidraça estava suja, eu sempre arrumava um pontinho onde ela estivesse limpa e dali eu espiava  o mundo com o otimismo de uma criança.

Acho que me acostumei a olhar a por apenas um ponto, e agora que ela está limpa, tenho dificuldade em encarar a paisagem.

Analogias parecem bonitas, mas a crueldade que se esconde nisso é a dificuldade de aceitar que se têm mais motivos para ser feliz do que para ser triste!

Há dias eu disse verdades cruéis para minha filha, claro que usei um tom amável, mas disse coisas que ela não queria ouvir e completei dizendo: “O verdadeiro amigo, aquele te ama é aquele que fala a verdade”, no dia seguinte alguém que me ama muito também me alertou para a verdade que não quero ver, me tirou o sono, me fez pensar e só agora consigo conceber.

Então dei um mergulho, olhei para aquelas coisas feias que não queremos olhar e entendo que para mim o melhor caminho é encontrar a leveza todos os dias, esteja a vidraça limpa ou suja, o foco não está no vidro, ele está lá fora!