Uma boa rima não segue regras

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Ando com uma certa preguiça com os padrões preestabelecidos de comportamento físico e emocional.

Respeito a menina que leva horas na frente do espelho e ainda chega insegura na festa porque percebeu que o look escolhido não está entre os mais comentados. Respeito o cara que se sente menos porque seu abdômen não tem tantos gomos quanto os demais saradões da academia. Respeito a mãe que pressiona seu filho para ser o aluno nota 10, independe do quão solitária seja essa caminhada. Respeito, mas confesso que não entendo a necessidade de se manter nesses ou em outros padrões tão impositivos.

Li o texto da amiga Pauta Felitto recentemente e reforcei meu desejo de não me enquadrar no comportamento esperado pela sociedade. Dizia o texto dela, “crie seus filhos para simplificar a vida”. O texto dela fala da angústia das mães que ameaçam, mentem e brigam com seus filhos com frases de efeito do tipo “vou deixar você de castigo se não comer tudo!”, “Fulano, estou indo embora e vou te deixar sozinho aqui no parquinho!”. Oras, não vai né!? A angústia nasce da cobrança, das regras impostas por uma sociedade que não se importa com a liberdade de cada indivíduo.  Nasce e se procria transformando crianças em pequenos adultos. Se você sente vontade de fazer algo, desde que respeite o próximo, faça!

Admiramos as histórias de coragem e desapego, elogiamos os mais ousados e aprendemos com as mentes brilhantes e loucas dos grandes inventores. Ao mesmo tempo, ignoramos nosso íntimo, calamos nossa alma e vivemos uma rotina um tanto quanto oprimida.

Volto com minha amiga Paula, que diz:

Quer correr? Corre!

Não quer comer? Não come!

Quer gritar? Eu grito junto!

Sua alma, no fundo, quer ser ouvida com todas as particularidades e desejos, quer sair e assumir quem é.